Preocupações dos pacientes sobre a preservação do rebordo

How to explain, reassure, and gain patient acceptance
Dr. Simon Nocton · United Kingdom · dezembro 16, 2025
Os pacientes podem hesitar diante da preservação do rebordo. Este artigo mostra como explicar o procedimento de forma clara, esclarecer dúvidas e aumentar a confiança para a decisão pelo tratamento.

Ao longo dos meus anos como implantodontista, vi o quanto o sucesso de um procedimento depende da conversa realizada antes mesmo de ele começar. A preservação do rebordo — também chamada de preservação do rebordo alveolar ou enxerto em alvéolo — é um excelente exemplo. Clinicamente, é uma das formas mais eficazes de preservar o osso natural após a extração dentária e preparar o local para implantes dentários.

No entanto, muitos pacientes hesitam quando o recomendo pela primeira vez. Eles levantam preocupações comuns sobre a preservação do rebordo:

  • Será doloroso?
  • Qual será o tempo de recuperação?
  • Quais são os riscos e os efeitos colateraisa?
  • Qual será o custo?

Aprendi que abordar essas questões com clareza e empatia é tão importante quanto realizar bem o procedimento cirúrgico. Veja como conduzo essa conversa e como você pode desenvolver seu próprio estilo de comunicação com o paciente — um estilo que transmita confiança e seja eficaz.


Por que é importante abordar previamente as preocupações do paciente

Após a extração dentária, o osso maxilar começa imediatamente a sofrer reabsorção. Sem intervenção, cerca de 50% do volume ósseo alveolar é perdido nos 12 meses seguintes à extração, sendo que aproximadamente dois terços dessa redução ocorrem nos primeiros 3 meses.1

Isso afeta:

  • A facilidade e a previsibilidade da regeneração óssea e do enxerto ósseo posterior.
  • A estabilidade dos implantes dentários.
  • O perfil facial do paciente e a saúde bucal a longo prazo.

Ao explicar esses fatos logo no início do plano de tratamento, você oferece aos pacientes uma razão clara para a preservação do rebordo. É nesse ponto que a confiança na comunicação com o paciente impacta diretamente a aceitação do caso.

Como explico o procedimento cirúrgico de preservação do rebordo

Os pacientes responderam melhor quando os conduzidos pelo processo passo a passo, em termos simples:

  1. Extração gentil
    “Removemos o dente cuidadosamente para proteger o osso e os tecidos moles adjacentes.”
  2. Preparo do alvéolo
    “Limpamos a área para remover qualquer infecção ou detrito.”
  3. Enxerto ósseo
    Colocamos um material de enxerto ósseo seguro e comprovado no alvéolo vazio para preservar o formato do osso.
  4. Colocação da membrana
    Uma pequena barreira ajuda a proteger o enxerto e a impedir o crescimento de tecido mole em seu interior.
  5. Fechamento
    “Fechamos o local para que ele possa cicatrizar sem interferência.”

Faço questão de explicar que o procedimento é geralmente realizado com anestesia local, estando disponíveis a anestesia geral ou a sedação para casos específicos. Tranquilizar o paciente nesse momento ajuda muito a reduzir a ansiedade.


Quatro preocupações comuns dos pacientes e como as abordo

1. Medo da dor

A dor é uma das primeiras coisas em que os pacientes pensam, mas, na realidade, o procedimento em si é totalmente confortável graças à anestesia local. Faço questão de que entendam que qualquer desconforto posterior é passageiro e pode ser controlado com medidas simples, como compressas de gelo e medicamentos prescritos, enquanto os benefícios perduram por anos. Explico que uma leve sensibilidade faz parte do processo normal de cicatrização — não sendo sinal de que algo esteja errado — e que estaremos ao lado deles em todas as etapas.

2. Perguntas sobre o processo de cicatrização

Percebi que definir expectativas realistas é fundamental. Os pacientes frequentemente retomam as atividades normais rapidamente, mas a consolidação óssea continua ocorrendo silenciosamente por um período que varia de semanas a meses. Explico que avaliaremos o progresso em cada etapa e que, em alguns casos, prolongar o intervalo entre as fases pode, de fato, melhorar tanto o resultado clínico quanto o conforto do paciente — além de facilitar a gestão do aspecto financeiro.

Fornecer um plano de cuidados pós-extração  é essecial.

3. Preocupações com custos

O custo é uma das preocupações mais comuns dos pacientes em relação à preservação do rebordo, mas não é um assunto que deva ser evitado. O segredo é abordá-lo com empatia, sem fazer suposições sobre a situação financeira do paciente, e concentrar-se no que ele realmente espera do tratamento. Percebi que ajuda associar o custo ao valor a longo prazo:

“Se preservarmos o osso agora, evitaremos procedimentos de enxerto ósseo mais complexos e caros mais tarde.”

Uma das vantagens de utilizar biomateriais é a possibilidade de realizar o tratamento de forma gradual, o que torna o investimento financeiro mais viável ao permitir o parcelamento dos pagamentos. Embora tratamentos odontológicos complexos possam representar um investimento significativo, eles frequentemente proporcionam um valor que supera em muito o custo. Percebo que, quando os pacientes compreendem plenamente o procedimento e seus benefícios a longo prazo, mostram-se muito mais dispostos a dedicar seu tempo, esforço e recursos.

Ofereça transparência e opções de pagamento sempre que possível.

4. Perguntas sobre materiais

Os pacientes gostam de saber o que está sendo introduzido em seus corpos; por isso, quando perguntam sobre os materiais que utilizo, sou aberto e direto. Para o meu próprio trabalho, escolho Biomateriais Geistlich  porque contam com décadas de pesquisa e um histórico comprovado de segurança, além de terem proporcionado resultados previsíveis de forma consistente na minha prática clínica. Os pacientes valorizam saber que a escolha se baseia tanto na ciência quanto na experiência.

Se eles demonstrarem curiosidade, explico as diferenças entre xenoenxerto, aloenxerto e materiais sintéticos em linguagem simples e direta.


Estratégias de comunicação que recomendo a jovens dentistas

Se você está no início da carreira, aqui estão algumas técnicas que funcionaram muito bem para mim:

  • Lidere com empatia – Ouça antes de falar; permita que os pacientes expressem suas preocupações.
  • Use analogias – “Pense nisso como guardar o molde para que a peça de reposição se encaixe perfeitamente.”
  • Antecipe objeções – Aborde as preocupações comuns antes que eles o façam.
  • Embase com evidências – Os pacientes valorizam o fato de seu dentista utilizar a ciência, e não suposições.

Quer embasar essas conversas com evidências sólidas?
Explore as principais pesquisas sobre a preservação do rebordo e aprenda a explicar seu valor aos pacientes com segurança →

Leia o artigo.

Minhas frases favoritas para construir confiança

  • Não se trata apenas de substituir um dente; trata-se de proteger o osso que sustenta o seu sorriso.
  • Fazer isso agora significa menos complicações e um posicionamento do implante mais previsível posteriormente.
  • Estamos garantindo a base antes de construir a casa.


Orientações de cuidados pós-extração que compartilho

Para garantir que os pacientes deem continuidade ao tratamento:

  • Aplique bolsas de gelo nas primeiras 24 horas.
  • Evite enxaguar vigorosamente ou usar canudos.
  • Consuma alimentos macios por vários dias.
  • Escove suavemente perto do local.

Tome os medicamentos exatamente como prescrito.

Baixe o Informativo para o paciente sobre a extração dentária  para embasar discussões fundamentadas.

Por que essa abordagem funciona

Abordar de forma proativa as preocupações dos pacientes sobre a preservação alveolar aumenta a probabilidade de que eles sigam com o tratamento e fiquem satisfeitos com o resultado. Com o tempo, você perceberá que essas conversas não apenas melhoram as taxas de aceitação do tratamento, mas também fortalecem o relacionamento com os pacientes.


Conclusão

Para mim, a preservação do rebordo é mais do que uma etapa em um fluxo de trabalho cirúrgico; é uma oportunidade de construir confiança. Ao combinar comunicação eficaz, educação do paciente e recomendações baseadas em evidências, você protege não apenas o osso natural, mas também o relacionamento que acompanhará o paciente durante toda a sua jornada de tratamento.


Referência

1. Schlee M and Esposito M: Eur J Oral Implantol. 2009 Autumn;2(3):209-17.


Dr. Simon Nocton

Cirurgião Implantodontista,
The Dental Surgery, Londres, Reino Unido